quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Clarice define

"De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. Decerto tudo deve estar sendo o que é.
(...)
Escrevo ou não escrevo?
(...)
Quero escrever esquálido e estrutural como o resultado de esquadros, compassos e agudos ângulos de estreito enigmático triângulo.

"Escrever" existe por si mesmo? Não. É apenas o reflexo de uma coisa que pergunta. Eu trabalho com o inesperado. Escrevo como escrevo sem saber como e por quê - é por fatalidade de voz. O meu timbre sou eu. Escrever é uma indagação. É assim:?
(...)
Eu tenho que ter paciência pois os frutos serão surpreendentes..."
(Clarice Lispector)

1 comentários:

Anônimo disse...

Lindo, Perfeito!

Parabéns

Michele

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